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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Um dia - Mário Quintana

terça-feira, 16 de junho de 2009

cachorro farejador...


"Os outros têm uma espécie de cachorro farejador,
dentro de cada um,
eles mesmos não sabem.
Isso feito um cachorro,
que eles têm dentro deles,
é que fareja,
todo o tempo,
se a gente por dentro da gente está mole,
está sujo
ou está ruim,
ou errado...
As pessôas, mesmas, não sabem.
Mas, então,
elas ficam assim com uma precisão
de judiar com a gente..."
G.Rosa

sábado, 21 de março de 2009

Poema para a grande orquesta parada




Um silêncio bem alto

Você já amou uma mulher brilhante.
Você já amou uma mulher formosa.
Você já amou uma mulherSilenciosa?
Que fala pouco.
E bem,
E baixo,
Que não eleva a voz por raiva
Nem má educação,
Que anda com seus pés de seda
Num mundo de algodão.
Que não bate, fecha a porta,
Como quem fecha o casaco
De um filho
(Ou abre um coração)?
Que quando fala, se aproxima
Ao alcance da mão
Pra que a voz não se transforme em grito?
E que absorve o mundo
Sem re-percussão
Num olhar de preguiça
Num colchão de cortiça
Como um mata-borrão?
Mas um dia ela sai
Levando o seu silêncio
De pingüim andando solitário em
sua Antártica(ou Antártida),
No eterno
Gelo sobre gelo
No infinito
Branco sobre branco
E dos cantos e recantos
Onde habitou calada- entre oniausente -
Brotam aos poucos,
Os ruídos
Pisados,
Colocados embaixo do tapete
Guardados na despensa
Na gaveta mais funda
De uma vida em comum.
Os trincos falam,
A cafeteira chia,
A espreguiçadora range,
O telefone toca,
As louças tinem,
O relógio bate,
O cão ladra,
O rádio mia,
Toda a casa ressoa, reverbera e brada
E a orquestra em pleno do teu
dia-a-dia
Ataca a algaravia
Fabril
Escondida no lençol de silêncio
Com que ela partiu.

Millôr Fernandes

domingo, 19 de outubro de 2008

CANÇÃO DOS HOMENS


Que quando chego do trabalho
ela largue por um instante o que estiver fazendo
- filho, panela ou computador -
e venha me dar um beijo como os de antigamente.
Que quando nos sentarmos à mesa para jantar
ela não desfie a ladainha dos seus dissabores domésticos.
E se for uma profissional, que divida comigo
o tempo de comentarmos nosso dia.
Que se estou cansado demais para fazer amor,
ela não ironize nem diga que "até que durou muito"
o meu desejo ou potência.
Que quando quero fazer amor
ela não se recuse demasiadas vezes,
nem fique impaciente ou rígida,
mas cálida como foi anos atrás.
Que não tire nosso bebê dos meus braços
dizendo que homem não tem jeito pra isso,
ou que não sei segurar a cabecinha dele,
mas me ensine docemente se eu não souber.
Que ela nunca se interponha entre mim
e as crianças,
mas sirva de ponte entre nós
quando me distancio ou me distraio demais.
Que ela não me humilhe porque estou ficando
calvo ou barrigudo,
nem comente nossas intimidades com as amigas,
como tantas mulheres fazem.
Que quando conto uma piada para ela
ou na frente de outros,
ela não faça um gesto de enfado dizendo
"Essa você já me contou umas mil vezes".
Que ela consiga perceber quando estou
preocupado com trabalho, e seja calmamente carinhosa,
sem me pressionar para relatar tudo,
nem suspeitar de que já não gosto dela.
Que quando preciso ficar um pouco quieto
ela não insista o tempo todo para que eu fale ou a escute,
como se silêncio fosse falta de amor.
Que quando estou com pouco dinheiro
ela não me acuse de ter desperdiçado com bobagens
em lugar de prover minha família.
Que quando eu saio para o trabalho de manhã
ela se despeça com alegria,
sabendo que mesmo de longe eu continuo pensando nela.
Que quando estou trabalhando ela não telefone
a toda hora para cobrar alguma coisa
que esqueci de fazer ou não tive tempo.
Que não se insinue com minha secretária
ou colega para descobrir se tenho amante.
Que com ela eu também possa ter momentos de fraqueza
e de ternura, me desarmar,
me desnudar de alma,
sem medo de ser criticado ou censurado:
que ela seja minha parceira,
não minha dependente nem meu juiz.
Que cuide um pouco de mim como minha mulher,
mas não como se eu fosse uma criança tola
e ela a mãe, a mãe onipotente,
que não me transforme em filho.
Que mesmo com o tempo, os trabalhos,
os sofrimentos e o peso do cotidiano,
ela não perca o jeito terno e divertido
que tanto me encantou quando a vi pela primeira vez.
Que eu não sinta que me tornei desinteressante
ou banal para ela,
como se só os filhos e as vizinhas
merecessem sua atenção e alegria.
E que se erro, falho, esqueço,
me distancio, me fecho demais,
ou a machuco consciente ou inconscientemente,
Ela saiba me chamar de volta com aquela ternura
que só nela eu descobri,
e desejei que não se perdesse nunca,
mas me contagiasse e me tornasse mais feliz,
menos solitário, e muito mais humano.
Lya Luft

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Voar...



Passamos uma vida presos...
Qual pássaros em suas gaiolas!
Medo de amar!
Medo de olhar a vida de frente!
E naquele pequeno espaço,
cantamos nossas dores e sonhos!
Muitas vezes se abrem as portas de nossas gaiolas
Mas permanecemos ali acostumados...
Encolhidos...
Nas nossas vontades e sonhos!
Não tenhamos dúvidas!
À primeira oportunidade
devemos alçar o vôo dos falcões!
Calmo
Confiante
Determinado
Amar sem medo!
Brincar um pouco com a vida!
Não ter medo dos rochedos!
E sobre eles estender nossas asas
corajosas de falcões!
E sair em busca de nossos sonhos!
Como o Condor...
Tentar enxergar as pequeninas coisas à nossa volta
e saber apreciá-las!
Dando um sentido novo à nossa vida!
Não sermos como pássaros de gaiolas,
mas, Falcões e Condores do céu!
A cada dia existe uma renovação constante
E nunca um dia será como o outro...
Não há dores eternas!
Não há lágrimas eternas!
Não há perdas eternas!
Há sorrisos esperando-nos...
Dias de sol,
o abraço dos amigos, dos filhos.
E tantos sonhos lindos!
Um amor nos espera para voar... voar... voar...
Porque a vida é um recomeçar diário
De um vôo!
E gaiolas não foram feitas para pássaros!
Tampouco para Falcões!

Leonardo Boff
Niver Tio Gilberto

domingo, 5 de outubro de 2008

Sobre relacionamentos, amor & liberdade

Osho ; Mário Quintana ; Stolen Kiss

uma bela misturinha...

sábado, 13 de setembro de 2008




Enquanto houver mulheres
alegres ou tristes falando,
florando, fluindo e
influindo de amor,
a humanidade pode ter
alguma esperança.

Arthur da Távola
enviado p/teka
25/06/2006