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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Mulheres que correm com os lobos


Era uma vez uma mulher.
Essa mulher Era amada.
Por ser amanda, era reconhecida como inteira em si mesma.
Por ser reconhecida, era livre para existir.
Essa mulher vivia com os pés na terra e a cabeça nas nuvens,
possuía todos os atributos de uma deusa.
Era humana e ao mesmo tempo divina
e havia algo de selvagem em seus olhos que nenhuma civilização
ou religião poderiam domar.
Por isso mesmo,essa mulher foi temida e, por ser temida,
foi reprimida e banida do convívio dos demais.
Ela foi queimada nas fogueiras da ignorância,
amordaçada nas malhas da censura,
presa nas correntes da indiferença.
Após tantos séculos de repressão,
aqueles que a haviam reprezado
acreditavam que sua luz havia finalmente se extinguido;
que sua natureza selvagem
e aterradora havia desaparecido por completo.
Porém, essa mulher faz parte da própria natureza,
ela é a própria natureza e não pode ser aniquilada.
De sua completude temos apenas resquícios
mas ela sobrevive nas histórias e nos contos de fada
e no fundo da alma de todos,
homens e mulheres que sentem
um profundo sentimento de vazio
e solidão em suas vidas.
Eles escutam o chamado que vem dos ossos,
das profundezas da carne.
O chamado da mulher selvagem,
há muito reprimida,
há muito massacrada
mas de nenhuma forma esquecida.
Clarissa Pinkola Estés
nesse brilhante livro sai em busca
"daquela que sabe",
a mulher selvagem.
É um verdadeiro trabalho
de escavação das partes
mais subterrâneas da psique
em busca de algo muito precioso
que foi há muito tempo contido.
Através de contos de fada e mitos,
a autora procura aos poucos revelar
as muitas facetas da alma feminina
que tem sido tão maltratada
não apenas pela sociedade
mas pela própria mulher,
que se afastou de sua parte selvagem.
Mulheres que correm com os lobos
é uma verdadeira viagem ao interior
daquela parte mais profunda de nós mesmos
da qual insistimos em fugir.
É uma busca por aquilo que há de mais verdadeiro
e mais essencial em cada um de nós.
Uma missão de vida que, mais cedo ou mais tarde,
todos teremos que cumprir...
Netsaber Resumos

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Homens Maduros...




"Homens Maduros...
Há uma indisfarçável e sedutora beleza
na personalidade de muitos homens
que hoje estão na idade madura.
É claro que toda regra tem as suas exceções,
e cada idade tem o seu próprio valor.
Porém, com toda a consideração e respeito às demais idades,
destacaremos aqui uma classe de homens
que são companhias agradabilíssimas:
os que hoje são quarentões e cinquentões.
Percebe-se com uma certa facilidade,
a sensibilidade de seus corações,
a devoção que eles tem pelo que há de mais belo:
o sentimentalismo.
Eles são mais inteligentes, vividos,
charmosos, eloqüentes.
Sabem o que falam, e sabem falar na hora certa.
São cativantes,
sabem fazer-se presentes, sem incomodar.
Sabem conquistar uma boa amizade.
Em termos de relacionamentos,
trocam quantidade pela qualidade,
visão aguçada sobre os valores da vida,
sabem tratar uma mulher com respeito e carinho.
São homens especiais, românticos, interessantes
e atraentes pelo que possuem na sua forma de ser,
de pensar, e de viver.
Na forma de encarar a vida,
são mais poéticos,
mais sentimentais, mais emocionais
e mais emocionantes.
Homens mais amadurecidos têm maior desenvoltura
no trato com as mulheres,
sabem reconhecer as suas qualidades,
são mais espirituosos, discretos,
compreensivos e mais educados.
A razão pela qual muitos homens maduros
possuem estas qualidades maravilhosas
deve-se a vários fatores:
a opção de ser e de viver de cada um,
suas personalidades, formação própria e familiar,
suas raízes, sabedoria, gostos individuais, etc...
Mas eu creio que em parte,
há uma boa parcela de influência nos modos de viver
de uma época, filmes e músicas ouvidas e curtidas
deixaram boas recordações da sua juventude,
um tempo não tão remoto, mas que com certeza,
não volta mais.
A juventude passou, mas deixou “gravado” neles,
a forma mais sublime e romântica de viver.
Hoje eles possuem uma “bagagem” de conhecimento,
experiências, maturidade e inteligência
que foram acumulando com o passar dos anos.
O tempo se encarregou de distingui-los dos demais:
deixando os seus cabelos cor-de-prata,
os movimentos mais suaves, a voz pausada,
porém mais sonora,
hoje eles são homens que marcaram sua época.
Eu tenho a felicidade de ter alguns deles como amigos virtuais,
mesmo não os vendo pessoalmente,
percebo estas características através
de suas palavras e gestos.
Muitos deles hoje “dominam” com habilidade
e destreza essas máquinas virtuais,
comprovando que nem o avanço da tecnologia
lhes esfriou os sentimentos,
pois ainda
se encantam com versos,
rimas, músicas e palavras de amor,
nem lhes diminuiu a grande capacidade de amar,
sentir e expressar seus sentimentos.
Muitos se tornaram poetas,
outros amam a poesia.
Porque o mais importante não é a idade denunciada
nos detalhes de suas fisionomias
e sim os raros valores de suas personalidades.
O importante é perceber que os seus corações
permanecem jovens...
São homens maduros, e que nós,
mulheres de hoje,
temos o privilégio de poder admirá-los."
(A.D)

sábado, 11 de abril de 2009

Slow Food




O alimento equivale ao prazer
equivale à consciência
equivale à responsabilidade
O Slow Food acredita que a
gastronomia está
indissoluvelmente associada à
política, à agricultura e ao meio
ambiente, entre outras coisas.
Esta é a razão de ser um
participante tão ativo nas
questões relativas à
agricultura e ecologia
mundiais.
O Slow Food defende a
biodiversidade no nosso
suprimento de alimentos,
promove a educação do
paladar e conecta os
produtores de alimentos de
qualidade com os co-produtores
através de eventos e iniciativas.
Para conseguir isso, adota uma
abordagem original e distinta:
• construindo redes que conectam os
produtores e co-produtores
• educando os consumidores de todas as idades
• protegendo a biodiversidade
http://www.slowfood.com/

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Pra isso existe Deus...


CONSULTO o calendário:
hoje é sexta-feira da paixão, 10 de abril.
Me deu vontade de escrever
de um jeito diferente,
fazendo de conta que hoje é terça-feira
da semana que vem.
Se me disserem que isso não é possível contesto
dizendo que na literatura tudo é possível...
E assim, assentado diante do computador,
corrijo a data:
é o dia 14,
dia que hoje ainda não existe.
O hoje já passou.
A Sexta-Feira da Paixão ficou para trás.
Isso, segundo a medição dos calendários escritos.
Mas não segundo os calendários da alma.
Os calendários da alma
não têm nem antes nem depois.
Na alma, o tempo é sempre presente.
A alma vive chamando de volta
um tempo que já passou:
isso tem o nome de saudade...
A alma é atrasada.
Não quer progresso.
Não quer ir para o futuro.
O que ela deseja mesmo
é voltar para o passado
porque é no passado que moram
os objetos que ela amou e perdeu.
A alma navega sempre ao contrário,
na direção do amor.
Sexta-Feira da Paixão faz voltar
o cheiro dos pobres que não tomavam banho.
É um cheiro inconfundível, comovente,
diferente do cheiro dos ricos que não tomam banho.
O cheiro de não tomar banho dos pobres é reverente.
E é por isso que os pobres vão à procissão
vestidos com ele.
Já o cheiro de não tomar banho dos ricos fede.
Faz pensar em sovaco.
O cheiro dos pobres que não tomavam banho
tem um lugar privilegiado nas memórias que escrevi
no livro "O sapo que queria ser príncipe".
Se o título o intriga, eu explico:
o sapo era eu, menino de roça desajeitado...
Marcel Proust deveria sofrer de uma saudade imensa
para escrever um livro tão comprido sobre o mistério
da procura do tempo que se perdeu,
sabendo que as águas de um rio não voltam atrás.
Ou voltam?
O desenhista Escher achava que sim
e até fez um desenho em que as águas voltavam atrás,
subiam um morro e viravam cachoeira.
E o escritor sagrado era de opinião igual
e escreveu
"lança o teu pão sobre as águas
porque depois de muitos dias o encontrarás"
(Eclesiastes 11.1 ).
As águas do rio da alma são circulares.
O que se pensa perdido volta.
E é pra isso que existe Deus,
pra fazer as águas do rio do tempo voltarem
e assim nos curar da saudade...
Hoje, Sexta-Feira da Paixão.
Nas Minas Gerais antiga,
as mulheres pobres já
separaram as pedras pesadas
que equilibrarão na cabeça na procissão.
É preciso sofrer pra seguir Deus,
caminhando devagar...
Deus é uma pedra pesada
que se carrega na cabeça.
Alguns carregam a pedra do lado de fora,
como as mineiras analfabetas.
Outros carregam a pedra do lado de dentro,
doloroso cálculo cerebral.
Terminada a procissão,
as mineiras põem a pedra no chão
e ficam felizes de novo.
Terminada a procissão,
as pedras que vão do lado de dentro
continuam doendo.
Hoje, Sexta-Feira da Paixão,
os berra-bois berravam
seus zunidos sinistros noite a dentro.
Eram os uivos dos demônios que voavam livres
nesses três dias em que Deus estava morto.
Naqueles tempos o poder dos demônios era maior.
Sei que acontecia assim porque minha mãe me contou.
E por falar em berra-boi
-quem não sabe o que é berra-boi
que o procure no dicionário-
eu tenho um, pequeno, brinquedo, feito de bambu...
De qualquer forma, acreditando ou não,
faria bem para a alma ouvir
a marcha fúnebre de Chopin
ou a segunda sinfonia de Mahler.
Rubem Alves
Folha de S.Paulo

domingo, 5 de abril de 2009

Verdades...


Se tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades
teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando,
falei muitas vezes como um palhaço
mas jamais duvidei da sinceridade da platéia que sorria.
(Charles Chaplin)

sábado, 4 de abril de 2009

A palavra tem um impacto imediato
no cotidiano das crianças.
É a entonação que damos a ela
que faz com que os pequenos
percebam nossas intenções.
O aprendizado de conceitos e valores
se dá também através do que é observado,
absorvido e vivenciado.
Como os valores que aprendemos na infância
são os que carregamos pela vida afora,
é importante que os pais
ou os responsáveis pela criança
sejam influências positivas em seu cotidiano.
Os pequenos são super antenados,
flagram os adultos dizendo algo
e tendo um comportamento
incoerente com o discurso.
Então, é necessário que palavra e atitude
estejam em conformidade com
a verdadeira intenção dos pais.
O "não" é o limite,
é a palavra-conceito que estrutura
a convivência em sociedade,
que dá a noção de perigo,
de reconhecimento de fronteiras.
O "por favor" é quase mágico,
abre caminhos e possibilidades de conquista.
O "obrigado" ganha simpatia
e deixa portas abertas e assim por diante.
Mas a palavra sozinha pode perder seu valor
quando é exaustivamente repetida
e não tem a respectiva atitude que a valide,
que a torne coerente.
O "não" gratuito, sem reflexão,
num primeiro momento deixa a criança indignada
porque ela simplesmente quer.
Então a criança insiste, insiste,
e muitas mães e pais acabam cedendo
porque o "não" adveio muito mais do vício
na palavra que proporciona
"conforto"
para os pais
do que por um motivo realmente consistente.
A criança logo percebe que basta choramingar
para conseguir o que deseja,
e assim o "não" perde seu sentido.
Mais tarde a criança será taxada de desobediente
e os pais não se darão conta de que eles mesmos
a ensinaram a não dar importância
a um pedido ou a um limite explícito.
De nada adianta ensinar a criança a pedir
"por favor"
quando solicita algo,
se os pais não o fazem, mas "ordenam".
A dizer "obrigado", se eles mesmos
não reconhecem as gentilezas dos filhos,
dizendo que não fizeram nada mais que a obrigação
diante de uma atitude solidária dos pequenos.
Ou pedir à criança que não grite
quando ela observa seus pais gritando
um com outro e assim por diante.
Esses são exemplos clássicos
de questões simples do cotidiano,
mas que ilustram como a base do caráter
é formada através de observação
e repetição de comportamentos.
São inúmeras as oportunidades que os pais têm
para mostrar a importância de desenvolver
e cultivar valores como respeito, generosidade,
gratidão, responsabilidade, solidariedade.
E a maioria nem percebe as chances
que perdem de ensinar seus filhos.
Veja, então,
como você pode aproveitar situações
corriqueiras para solidificar esses valores:
A partir dos três anos,
peça permissão para verificar a mochila da escola
ou avise que vai fazê-lo.
Lembre de explicar o motivo:
ver se tem roupas sujas, se há recados na agenda,
por exemplo.
Quando a criança for um pouco mais velha,
passe a perguntar
e peça que ela mesma mostre a agenda
ou lhe dê as roupas para lavar.
Isso fará com que naturalmente ela não mexa
no que não é dela sem pedir permissão,
lhe dará noções de respeito e limites,
e fará com que ela entenda o que é seu
e o que é do outro.
Uma vez por ano,
no dia das crianças e/ou Natal, por exemplo,
peça que seu filho identifique
os brinquedos que não usa mais
e avise-o que enquanto ele faz esse "trabalho"
você estará fazendo o mesmo com suas roupas.
Deixe que ele vá com você num orfanato
ou igreja para fazer a doação.
Isso lhe dará um senso de realidade,
aprenderá a repartir suas coisas
e a não acumular o que não usa.
É uma lição de desapego.
Convide a criança a guardar os brinquedos
e algumas vezes a ajude.
Caso ela se recuse,
guarde você mesmo num local inacessível
e a ensine a olhar no calendário,
estabelecendo uma data para que ela
volte a poder brincar,
três, cinco dias, por exemplo.
Ela aprenderá que não se responsabilizar
por suas coisas tem consequências
que nem sempre são agradáveis.
Mas é preciso que você seja firme,
pois dessa forma ela também aprende
a confiar em sua palavra.
Ajudar a criança com suas pequenas tarefas
a autoriza a pedir ajuda também.
Por exemplo, colocar e retirar os pratos da mesa
ou enxugar a louça.
Isso desenvolve um senso de solidariedade,
ela aprende que as tarefas são realizadas
de forma mais rápida e eficiente
quando feitas em conjunto.
Procure não esquecer de agradecer
ou de manifestar sua alegria
não apenas por suas solicitações atendidas,
como também pelos os gestos de carinho
e atenção que crianças que estejam
sob sua responsabilidade
demonstram nas pequenas atitudes.
Elas aprenderão a importância
do reconhecimento e da gratidão
e também se manifestarão
quando as pessoas forem generosas com elas.
Conte ou leia histórias, contos de fadas,
estimule comentários e impressões
a respeito dos personagens
e suas ações.
Use a historinha para estabelecer paralelos
com as situações do cotidiano.
Existem livros que têm como meta
o desenvolvimento emocional das crianças.
Se você puder tenha um animal de estimação.
A amizade entre crianças e bichinhos
promove um inestimável aprendizado
com relação a aceitar as diferenças
e desenvolverá nela sentimentos de compaixão,
respeito e amor incondicional.
Divida com ela os cuidados com o animal,
como troca de água,
oferta de alimento e banho, por exemplo.
Isso lhe dará noções

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Há quem passe pela vida...


Há quem passe e deixe só cicatrizes,
Há quem passe semeando flores.
Há quem passe banhando-nos em lágrimas,
Há quem passe disposto a secá-las.
Há quem passe torcendo por nossa vitória,
Há quem passe aplaudindo nossos fracassos.
Há quem passe ajudando-nos a levantar,
Há quem passe fazendo-nos cair.
Há quem passe como sombra,
Há quem passe como luz.
Há quem passe como pedra no caminho,
Há quem passe como pedra de construção.
Há quem para todo deslize seja
uma falha irreparável,
Há quem nos ofereça o perdão.
Há quem ignore nossos erros,
Há quem nos ajude a corrigir.
Há quem passe rápido, veloz, despercebido,
Há quem deixe marcas profundas.
Há quem simplesmente passe,
Há quem fique para sempre no coração.
Há quem passe pela vida,
Mas, há quem não deixe a vida passar
sem um gesto de carinho,
sem o Amor ofertar.
Regina Célia Suppi

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Acabei de fazer 60 anos..


Acabei de fazer 60 anos
e a velhice e a morte começam a me assombrar.
O que fazer?
É coincidência, mas minha carteira de identidade me diz
que também completei 60 anos recentemente.
É sempre um marco.
Quando eu tinha uns 20 anos,
considerava que uma pessoa de 60
era um ancião quase morto.
Alguém disse que
“a vida é uma doença sexualmente transmissível
com 100% de fatalidade”.
Mas, como a lepra, é de deterioração lenta,
o que nos faz ir nos acostumando com seu avanço.
Ou mesmo desfrutando da nossa única idade:
estamos vivos.
Reparei que minha idade varia,
ignorando o que diz o RG.
A maior parte do tempo tenho 25.
É muito confortável.
Em outras horas (ou dias) tenho 17,
o que é uma delícia, pois ter 17 aos 60
é ser um adolescente com sustento próprio,
sabedoria de vida,
sem precisar obedecer
ou prestar contas a ninguém.
É mais raro,
mas às vezes tenho 10.
Aí é uma festa de curiosidades,
invenções e brincadeiras.
Tudo isso com um programa “gente grande”
dentro da minha cabeça,
que existe exclusivamente para proteger a criança
e o adolescente, e deixá-los brincar à vontade.
Minha mãe está com 95
e diz que “a velhice é aquela coisa”
(que ela não fala palavrão).
Tem suas razões,
pois a despeito de uma cabeça ótima,
mal vê, mal fala, mal ouve, mal anda.
É capaz que a vontade de viver lhe suma,
como sumiu de meu pai aos 102.
Ele então se retirou para dentro de si
e morreu em dois meses.
De qualquer maneira, alguém mais disse:
“A morte é um momento,
e não há de me roubar da vida mais do que isso:
seu momento”.
(Francisco Daudt - colunista da Folha de São Paulo,
psicanalista, Revista da Folha dia 22/06/2008)

segunda-feira, 30 de março de 2009

a mentirosa liberdade


Comecei a escrever um novo livro,
sobre os mitos e mentiras que nossa cultura
expõe em prateleiras enfeitadas,
para que a gente enfie esse material na cabeça e,
pior, na alma
– como se fosse algodão-doce colorido.
Com ele chegam os medos que tudo isso nos inspira:
medo de não estar bem enquadrados,
medo de não ser valorizados pela turma,
medo de não ser suficientemente ricos,
magros, musculosos,
de não participar da melhor balada,
do clube mais chique,
de não ter feito a viagem certa
nem possuir a tecnologia de ponta no celular.
Medo de não ser livres.
Na verdade,
estamos presos numa rede de falsas liberdades.
Nunca se falou tanto em liberdade,
e poucas vezes fomos tão pressionados
por exigências absurdas,
que constituem o que chamo a síndrome do “ter de”.
Fala-se em liberdade de escolha,
mas somos conduzidos pela propaganda
como gado para o matadouro,
e as opções são tantas
que não conseguimos escolher com calma.
Medicados como somos
(a pressão, a gordura, a fadiga,
a insônia, o sono, a depressão e a euforia,
a solidão e o medo tratados a remédio),
cedo recorremos a expedientes,
porque nossa libido,
quimicamente cerceada,
falha, e a alegria, de tanta tensão,
nos escapa.

Preenchem-se fendas e falhas,
manchas se removem,
suspendem-se prazeres
como sendo risco e extravagância,
e nos ligamos no espelho:
alguém por aí é mais eficiente,
moderno, valorizado e belo que eu?
Alguém mora num condomínio melhor que o meu?
Em fileira ao longo das paredes
temos de parecer todos iguais
nessa dança de enganos.
Sobretudo, sempre jovens.
Nunca se pôde viver tanto tempo
e com tão boa qualidade,
mas no atual endeusamento da juventude,
como se só jovens merecessem amor,
vitórias e sucesso,
carregamos mais um ônus pesadíssimo e cruel:
temos de enganar o tempo,
temos de aparentar 15 anos se temos 30,
40 anos se temos 60, e 50 se temos 80 anos de idade.
A deusa juventude traz vantagens,
mas eu não a quereria para sempre:
talvez nela sejamos mais bonitos,
quem sabe mais cheios de planos e possibilidades,
mas sabemos discernir as coisas que divisamos,
podemos optar com a mínima segurança,
conseguimos olhar, analisar e curtir
– ou nos falta o que vem depois:
maturidade?
Parece que do começo ao fim
passamos a vida sendo cobrados:
O que você vai ser?
O que vai estudar?
Como?
Fracassou em mais um vestibular?
Já transou? Nunca transou?
Treze anos e ainda não ficou?
E ainda não bebeu?
Nem experimentou uma maconhazinha sequer?
E um Viagra para melhorar ainda mais?
Ainda aguenta os chatos dos pais?
Saiba que eles o controlam sob o pretexto de que o amam.
Sai dessa!
Já precisa trabalhar? Que chatice!
E depois: Quarenta anos ganhando tão pouco
e trabalhando tanto?
E não tem aquele carro?
Nunca esteve naquele resort?
Talvez a gente possa escapar dessas cobranças
sendo mais natural,
cumprindo deveres reais,
curtindo a vida sem se atordoar.
Nadar contra toda essa louca correnteza.
Ter opiniões próprias, amadurecer, ajuda.
Combater a ânsia por coisas que nem queremos,
ignorar ofertas no fundo desinteressantes,
como roupas ridículas
e viagens sem graça, isso ajuda.
Descobrir o que queremos e podemos
é um bom aprendizado,
mas leva algum tempo:
não é preciso escalar o Himalaia social
nem ser uma linda mulher
nem um homem poderoso.
É possível estar contente
e ter projetos bem depois dos 40 anos,
sem um iate,
físico perfeito e grande fortuna.
Sem cumprir tantas obrigações fúteis e inúteis,
como nos ordenam os mitos e mentiras
de uma sociedade insegura,
desorientada, em crise.
Liberdade não vem de correr atrás de
“deveres” impostos de fora,
mas de construir a nossa existência,
para a qual, com todo esse esforço e desgaste,
sobra tão pouco tempo.
Não temos de correr angustiados atrás de modelos
que nada têm a ver conosco,
máscaras, ilusões e melancolia para aguentar a vida,
sem liberdade para descobrir
o que a gente gostaria mesmo de ter feito.
Lya Luft é escritora.

sábado, 28 de março de 2009

"tenha um caso de amor consigo mesmo"





Bons filhos conhecem o prefácio da história de seus pais
Filhos brilhantes vão muito mais longe,
conhecem os capítulos mais importantes das suas vidas...
Bons jovens se preparam para o sucesso.
Jovens brilhantes se preparam para as derrotas.
Eles sabem que a vida é um contrato de risco
e que não há caminhos sem acidentes.
Bons jovens têm sonhos ou disciplina.
Jovens brilhantes têm sonhos e disciplina.
Pois sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas,
que nunca transformam seus sonhos em realidade,
e disciplina sem sonhos produz servos,
pessoas que executam ordens, que fazem tudo automaticamente
E sem pensar.
Bons alunos escondem certas intenções,
mas alunos fascinantes são transparentes.
Eles sabem que quem não é fiel à sua consciência
tem uma dívida impagável consigo mesmo.
Não querem, como alguns políticos,
o sucesso a qualquer preço.
Só querem o sucesso conquistado com suor,
inteligência e transparência.
Pois sabem que é melhor a verdade que dói
do que a mentira que produz falso alívio.
A grandeza de um ser humano não está no quanto ele sabe
mas no quanto ele tem consciência que não sabe.
O destino não é frequentemente inevitável,
mas uma questão de escolha.
Quem faz escolha, escreve sua própria história,
constrói seus próprios caminhos. .
Os sonhos não determinam o lugar onde vocês vão chegar,
mas produzem a força necessária
para tirá-los do lugar em que vocês estão.
Sonhem com as estrelas para que vocês possam
pisar pelo menos na Lua.
Sonhem com a Lua para que vocês possam pisar
pelo menos nos altos montes.
Sonhem com os altos montes para que vocês possam ter dignidade
quando atravessarem os vales das perdas e das frustrações.
Bons alunos aprendem a matemática numérica,
alunos fascinantes vão além, aprendem a matemática da emoção,
que não tem conta exata e que rompe a regra da lógica.
Nessa matemática você só aprende a multiplicar quando aprende a dividir,
só consegue ganhar quando aprende a perder,
só consegue receber, quando aprende a se doar.
Uma pessoa inteligente aprende com os seus erros,
uma pessoa sábia vai além, aprende com os erros dos outros,
pois é uma grande observadora.
Procurem um grande amor na vida e cultivem-no.
Pois, sem amor, a vida se torna um rio sem nascente,
um mar sem ondas, uma história sem aventura!
Mas, nunca esqueçam,
em primeiro lugar tenham um caso de amor consigo mesmos.
Augusto Cury

quinta-feira, 19 de março de 2009

PONTO G


"Isabel Allende é uma das escritoras que mais admiro,
não só por seus livros,
mas também por seu humor,
sua trajetória de vida
e sua força diante de dramas inesperados,
como a morte prematura de sua filha,
Paula, aos 28 anos,
que acabou lhe inspirando
um romance biográfico emocionante.
Hoje, Isabel vive feliz em Sausalito,
Califórnia, com o segundo marido.
Lendo a entrevista que ela deu para a Playboy,
ri muito com suas declarações
e uma delas me pareceu um verdadeiro achado.
"As mulheres gostam que lhes digam palavras de amor.
O ponto G está nos ouvidos.
Inútil procurá-lo em outro lugar."
Ah, o ponto G,
esse paraíso secreto que leva os homens
a explorações minuciosas.
Não temos um ponto G,
mas dois,
um em cada lateral da cabeça,
e não é preciso tirar nossa roupa
para nos deixar em êxtase.
Falem, rapazes.
Digam tudo o que sentem por nós,
assim, assim...isso.
Concordo com a autora de A Casa dos Espíritos:
o melhor afrodisíaco é a declaração de amor.
Não aquelas mecânicas, faladas no piloto automático,
mas as verdadeiras, sentidas,
aquelas que os homens imaginam que basta serem ditas
com o olhar e com as mãos,
mas que fazemos questão de escutar também com a voz.
"Como eu gosto de estar com você,
esqueço do tempo ao seu lado, que horas são?
Já?
Que me esperem, não consigo desgrudar de você, amor.
"Caetano Veloso vendeu um milhão de cópias do seu último disco,
e tenho certeza de que não foi por causa de
"vou me embora, vou me embora, prenda minha,..."
e sim
"por que você me deixa tão solto,
por que você não cola em mim?"
As feministas mais ortodoxas devem estar bufando.
Tanta coisa pra se exigir de um homem:
mais espaço na política,
mais ajuda em casa,
salários iguais e nada de gracinhas no escritório,
e vem essa daí clamar por palavras!
Pois essa daqui acha tão interessante
a idéia de igualdade entre os sexos
que adoraria vê-los soltar o verbo como nós fazemos,
expressar os sentimentos sem medo de ser piegas,
afirmar e reafirmar diariamentecomo a gente é importante para eles
e que saudades estavam do perfume dos nossos cabelos.
Clichê em último grau,
reconheço, mas quem quer ser moderna nessa hora?
Tudo o que se reivindica é o desbloqueio emocional masculino.
Nossos hormônios saberão como agradecer."

(Martha Medeiros)
enviado p/e-mail

domingo, 15 de março de 2009

O Sofrimento no Amor


Vendo o sofrimento de quem ama
cheguei a três perguntas
tão simples quando a dificuldade
de a elas se alcançar.
Faço-as de forma coloquial:
1)–Sou eu que faço você sofrer?
2)–Ou é você que sofre por minha causa?
3)–Ou, ainda, é você que sofre por sua própria causa:
O que está acima formulado deve ser encadeado
para dar melhor,
a idéia da mistura das linhas de sofrimento
que se cruzam no amor:
-sou eu que faço você sofrer
-É você que sofre por minha causa
ou é você que sofre por sua própria causa?
Responder a essas perguntas leva anos
é essencial na relação de amor.
A resposta demandará tempo,
sofrimento,
em cada caso, será diferente.
Se encontrada,
melhorará qualquer relação.
Ou constará o seu termino.
Suprimirei a terceira parte da pergunta
“é você que sofre por sua própria causa”.
Ela existe em milhares de casos.
Talvez seja o mais freqüente.
Quando a pessoa sofre apenas por sua própria causa,
o problema fica reduzido a ela,
que deve tratar-se
ou buscar alguma forma de melhorar.
Independe da relação amorosa,
embora sobre ela faça incidir seus resultados.
A pergunta ficará então mais simples:
“Sou eu que faço você sofrer
ou é você que sofre por minha causa?”
Dá no mesmo.
Depende de quem diga.
Se sou eu que faço sofrer,
então são os meus atos, atitudes e ações,
os geradores do seu sofrimento.
Nesse caso, ou mudo,
ou continuarei provocando sofrimentos.
Será uma questão de cessar os atos, ações,
atitudes ou comportamentos feitos consciente
ou inconscientemente para provocar sofrimento,
por sadismo, egoísmo, incapacidade de perceber
as fronteiras da sua tolerância,
ou por raiva, vingança, neurose.
Se é você que sofre por minha causa,
tudo é diferente, embora igual possa parecer.
Os meus atos, atitudes, reações, comportamentos,
mesmo sem qualquer intenção ofendem, fazem mal,
danificam, fazem sofrer.
Por que?
Porque você sofre por minha causa.
O sofrimento não é causado por mim.
Ele está em você e eu o causo, ou potencializo.
Mesmo não desejando ver você sofrer,
pelo simples fato de ser como sou,
você estará sofrendo.
Não sou eu quem faz você sofrer.
O sofrimento é causado por mim.
Ser o que sou e quem sou, faz você sofrer,
irrita de graça, machuca sem querer.
Na vida e na relação do amor,
as duas faces dessa realidade misturam-se,
interpenetram-se, atrapalham-se.
Num par amoroso há atitudes conscientes,
e sobretudo inconsciente,
feitas para o outro sofrer
e uma tendência desse outro
de sofrer por causa do parceiro,
independente do que ela faça.
Êta bichinho complicado,
esse tal de ser humano.

Artur da Távola

domingo, 8 de março de 2009

"Salvem as Mulheres! "Participe preservando a sua!


MulherManual de Preservação da Espécie

Fábio Reynol


O desrespeito à natureza tem afetado
a sobrevivência de vários seres
e entre os mais ameaçados está a fêmea da espécie humana.
Tenho apenas um exemplar em casa,
que mantenho com muito zelo e dedicação,
mas na verdade acredito que é ela quem me mantém.
Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência,
lanço a campanha “Salvem as Mulheres!”.
Tomem aqui os meus parcos conhecimentos
em fisiologia da feminilidade
a fim de que preservemos os raros
e preciosos exemplares que ainda restam:

Habitat

Mulher não pode ser mantida em cativeiro.
Se for engaiolada, fugirá ou morrerá por dentro.
Não há corrente que as prenda
e as que se submetem à jaula perdem o seu DNA.
Você jamais terá a posse de uma mulher,
o que vai prendê-la a você é uma linha frágil
que precisa ser reforçada diariamente.

Alimentação correta

Ninguém vive de vento.
Mulher vive de carinho.
Dê-lhe em abundância.
É coisa de homem, sim,
e se ela não receber de você vai pegar de outro.
Beijos matinais e um “eu te amo”
no café da manhã as mantém viçosas
e perfumadas durante todo o dia.
Um abraço diário é como a água para as samambaias.
Não a deixe desidratar.
Flores também fazem parte de seu cardápio.
Mulher que não recebe flores murcha rapidamente
e adquire traços masculinos como rispidez e brutalidade.
Pelo menos uma vez por mês é necessário,
senão obrigatório,
servir um prato especial.
Música ambiente e um espumante num quarto de hotel
são muito bem digeridos
e ainda incentivam o acasalamento o que,
além de preservar a espécie,
facilitam a sua procriação.

Respeite a natureza

Você não suporta TPM?
Case-se com um homem.
Mulheres menstruam,
choram por nada,
gostam de falar do próprio dia,
discutir a relação...
Se quiser viver com uma mulher,
prepare-se para isso.Não tolha a sua vaidade.
É da mulher hidratar as mechas,
pintar as unhas,
passar batom,
gastar o dia inteiro no salão de beleza,
colecionar brincos,
comprar sapatos,
ficar horas escolhendo roupas no shopping.
Só não incentive muito estes últimos pontos
ou você criará um monstro consumista.

Cérebro feminino não é um mito

Por insegurança,
a maioria dos homens prefere não acreditar
na existência do cérebro feminino.
Por isso, procuram aquelas que fingem não possuí-lo
(e algumas realmente o aposentaram!).
Então, agüente mais essa:
mulher sem cérebro não é mulher,
mas um mero objeto de decoração.
Se você se cansou de colecionar bibelôs,
tente se relacionar com uma mulher.
Algumas vão lhe mostrar que têm
mais massa cinzenta do que você.
Não fuja dessas, aprenda com elas e cresça.
E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com os homens,
a inteligência não funciona como repelente para as mulheres.

Não confunda as subespécies

Mãe é a mulher que amamentou você
e o ajudou a se transformar em adulto.
Amante é a mulher que o transforma diariamente em homem.
Cada uma tem o seu período de atuação
e determinado grau de influência ao longo de sua vida.
Trocar uma pela outra não só vai prejudicar você
como destruirá o que há de melhor em ambas.

Não faça sombra sobre ela

Se você quiser ser um grande homem
tenha uma mulher ao seu lado,
nunca atrás.
Assim,
quando ela brilhar
você vai pegar um bronzeado.
Porém, se ela estiver atrás,
você vai levar um pé-na-bunda.
Aceite:
mulheres também têm luz própria
e não dependem de nós para brilhar.
O homem sábio alimenta os potenciais da parceira
e os utiliza para motivar os próprios.
Ele sabe que preservando e cultivando a mulher,
ele estará salvando a si mesmo.
Salvem as mulheres!
Uma campanha do Diário da Tribo
sem o apoio do Greenpeace nem do WWF.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Bom Dia Coração

domingo, 1 de março de 2009

Hino ao Sol

provérbios árabes

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

o monge e o executivo

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Código de Ética Indígena

domingo, 18 de janeiro de 2009

Grandes Siginificados